Segurança: Ajax X Applets

Ontem recebi um link para um projeto nacional que tem tido muito sucesso, e estava lendo as informações no site e encontrei algo que é um perfeito exemplo de má interpretação de tecnologias, e isso me deixou bastante intrigado, é uma questão sobre a camada de apresentação do projeto, que é feita em Ajax, até aí tudo bem certo? (afinal, o que de novo hoje em dia não usa Ajax?)

Não, não quero colocar aqui o projeto e o link para o site pois não quero que esse post soe como uma crítica direto ao projeto, pois não é, é apenas uma crítica a forma em que uma questão em particular foi encarada, o que não tira os méritos do projeto.

IMHO, o problema foi o modo com que isso foi exposto e, até de certa forma, usado como motivo para justificar a adoção ao Ajax. No site do projeto existem claramente duas seções: Ajax e Não Utiliza Applets. A categoria Ajax é simples e mostra algumas vantagens de se utilizar Ajax na apresentação de aplicações Web. Já a categoria “Não Utiliza Applets” possui uma série de divagações das quais não concordei muito, e vou dizer o porque.

Começando:

Applets … …. além de serem mais lentos e inseguros…

Lentos eu até concordo quando comparados com utilitários bem escritos com JavaScript, mas isso não quer dizer que sempre será mais lento, não é difícil escorregar e perder a linha gerando na aplicação vários (ou até dezenas) Mega Bytes de JavaScript que serão tão lentos quanto um applet para carregar e poderão sacrificar o cliente como qualquer aplicação desktop repleta de memory leaks (quem nunca viu o Firefox sugando seus ~400Mb++ de memória?).

E a segurança, a não ser que o cliente esteja utilizando uma versão antiga da JVM (cujos bug já são conhecidos e possuem correção, geralmente em versões mais novas) eu concordo que possa haver problemas com segurança, mas ainda não concordo que a segurança de um applet seja inferior à de algum componente escrito em JavaScript. Podemos começar falando de vulnerabilidade ao cliente, com o applet, ou o cilente tem a JVM ou não tem, portanto, ou o applet irá funcionar ou não irá, já com o JavaScript, o controle de funcionar ou não, não é como um ON/OFF, o usuário tem diversas formas de bloquear e desbloquear determinadas operações, sem contar as formas existentes de interferir no fluxo normal de processamento do JavaScript, com o GraseMonkey, por exemplo, é fácil escrever códigos que se integram (inicialmente à apresentação) ao código JavaScript de qualquer página. Sem contar as possíveis formas de se utilizar de XSS para explorar falhas no DOM, HTML/Scripts injection, etc.

Em relação ao Javascript, os applets são mais lentos de processar alem de possuir espaço muito delimitado na página onde se executam

Essa parte de integração com os demais objetos da página realmente é um ponto fraco, muito fraco, quando utilizamos applets. Já a questão de velocidade de processamento, é fácil confundir o tempo de processamento gasto numa determinada funcionalidade com a quantidade de operações que cada funcionalidade realmente executa, mas como eu nunca fiz esse tipo de teste – de escrever um applet e um javascript que façam a mesma coisa – não irei muito além, apesar de não acreditar que possam haver diferenças tão grandes, afinal, tudo é executado no cliente, com os mesmos recursos.

todos os recursos são feitos sem a utilização de Applets (com eufemismo – isso não tem no site :D), os sistemas são baseados principalmente no AJAX, o que garante velocidade e segurança, além de que não é necessária a instalação da JVM na máquina do cliente

Pois é, antes que arremessem as pedras, não estou aqui defendendo o uso de applets frente a componentes Ajax, muito pelo contrário, eu já trabalhei bastante com applets e sei o quanto é chato, em todos os aspectos, e também já trabalhei, trabalho e pretendo trabalhar por um bom tempo com componentes Ajax bem escritos, a razão pela qual escrevi este post foi para, de certa forma, criticar o modo com que foi exposto o motivo para usar Ajax, não acho que seja necessário dizer: “- Uso Ajax pois Applets são lentos, inseguros, gordos e feios.”; afinal de contas, não é bem assim.


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